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01 Dezembro 2009

Defenestrar: pelo regresso a uma prática necessária

A 1 de Dezembro de 1640 (faz hoje 369 anos) foi restaurada a Independência de Portugal face ao domínio espanhol (a dinastia filipina).
A “estória” conta-se em poucas palavras e terá sido mais ou menos assim: o rei D. Sebastião (sim, aquele que está representado em estátua na Praça Gil Eannes, de Lagos, vá lá saber-se porquê...) e que tinha um parafuso ligeiramente desapertado (entre outras coisas) decidiu fazer guerra aos infiéis, em finais do século XVI. Embarcado em Lagos (a nossa cidade aparece quase sempre associada a situações manifestamente infelizes...) fez-se matar e com ele mais uns quantos em Alcácer Quibir.
Sendo que o jovem rei Sebastião não tinha descendentes (há até quem afirme que Sua Majestade não era muito virada para tal tarefa...), Portugal caiu sob o jugo castelhano (embora até hoje sejam muitos os que ainda esperam o seu regresso em noite de nevoeiro).
Foi neste contexto de triste “fado” nacional que em 1 de Dezembro de 1640, 40 conjurados decidiram que já estavam fartos dos castelhanos e dos seus lacaios. Ora, entre este, o mais odiado era um tal de Miguel de Vasconcelos e Brito, nada mais nada menos do que o Secretário de Estado da duquesa de Mântua, vice-rainha de Portugal, em dependência do rei de Espanha. Quando percebeu que lhe iam “fazer a folha”, o tal de Vasconcelos escondeu-se (mal) num armário onde acabou por ser morto a tiro pelos conjurados restauradores.
Após ter sido varado pelas balas dos revoltosos, Miguel de Vasconcelos foi atirado por uma janela (defenestrado, do francês défenestrer), tendo o seu corpo caído no meio de uma multidão de populares enfurecidos que sobre ele deu asas ao seu ódio e cometeu algumas atrocidades (que só o nosso pudor impede de descrever agora).
Ora bem, esta boa acção de “defenestrar” caiu em desuso, infelizmente. Imagine-se, então, que esta boa prática não se teria perdido desde o século XVII e que hoje ainda poderia ser aplicada aqui, ou ali.
Por exemplo: um Presidente da República eleito com o dinheiro de um banco onde se faziam as maiores vigarices e que nomeou para Conselheiro de Estado um dos mentores dessas falcatruas, não poderia e não deveria ser “defenestrado”? E mais: que inventou um “esquema” de escutas que não existiam para favorecer eleitoralmente o seu partido de sempre em conluio com o director de um jornal imPúblico, não mereceria ser defenestrado?
Por exemplo: um Primeiro-ministro que tira a sua licenciatura a um domingo, que se envolve num esquema de “porto livre” ou que aparece numas escutas manhosas com o seu bom amigo daVara (suspeito de uma face oculta) não mereceria também ser atirado pela janela, hein?
Por exemplo: um presidente de um município qualquer, que promete publicamente a implementação do Orçamento Participativo e do Plano Director Municipal sem cumprir, que é multado pelo Tribunal de Contas por um ajuste directo na construção de um Complexo Desportivo, que vê recusado o Visto do mesmo Tribunal para obras de um estacionamento subterrâneo, que destrói um espaço de fruição pública, que rebenta milhões de euros num edifício municipal mal parido, etc, etc, etc, o que merece? Ser “defenestrado”, obviamente.
Pena que esta prática tenha caído em desuso. Mas, tudo faremos para a ressuscitar. Portugal merece-a.

30 Novembro 2009

Os comissários políticos atacam o associativismo

Longe vão os tempos, em que reinava um associativismo saudável na histórica cidade de Lagos. Prevaleciam a paixão, a dedicação e a competência
Ao invés disso, na actualidade, vigoram os comissários políticos. Em boa verdade, instituições e colectividades tornaram-se capelinhas partidárias. Contam-se pelos dedos de uma mão, aquelas em que ainda subsiste o genuíno amor e o generoso empenho à causa do associativismo.
Nos últimos trinta anos, a política intromete-se no associativismo, mas nunca como agora, se nota tão escandaloso controlo das máquinas partidárias, com o PS a bater todos os recordes.
Atente-se, por exemplo, a ingerências em três antigas instituições:
Santa Casa da Misericórdia gerida pelo presidente da Câmara, pelo presidente da Junta de S. Sebastião e mais uns quantos boys do PS. Uma coutada socialista que vai ter eleições brevemente. Diz-se que Barroso já não se recandidata, mas já terá arranjado um substituto socialista, Eduardo Andrade, secretário da Assembleia Municipal, mais um comissário político.
Bombeiros Voluntários de Lagos, sob a tutela de Paulo Morgado, que é chefe máximo do PS em Lagos e também presidente da Assembleia Municipal. Naturalmente que tem na instituição uns tantos camaradas do partido.
O CASLAS, há muito manipulada pelo socialista António Carreiro, que sentindo que haviam poucos camaradas nos corpos gerentes, decidiu apoiar-se, vejam só, no antigo edil, José Alberto Baptista, o mesmo que por acaso, é presidente do Núcleo de Lagos da Cruz Vermelha Portuguesa.
É de elementar justiça referir, que as instituições atrás focadas e outras colectividades, também foram assaltadas pela máquina partidária do PSD, principalmente quando Valentim dominava o poder autárquico.
Longe do associativismo puro e da gestão solidária, ficam, obviamente, personalidades credíveis, generosas e competentes, porque não fazem parte das coutadas políticas.
Lagos agrega dezenas de instituições e colectividades, valendo a pena analisar mais alguns casos que identificam a interferência da política no associativismo.
A Farmácia Lacobrigense, onde recentemente rebentou um escândalo, estava sob controlo de gente do PSD, que destronara a anterior liderança socialista corporizada pelo comissário João Vieira e pelo secretário do Presidente da Câmara. Os Artistas, é das poucas colectividades que ainda tem manita do PSD, porque, de resto, temos a Filarmónica, o Clube dos Caçadores, Os Amigos do Chinicato, o Grupo Popular das Portelas e as colectividades das freguesias rurais manietados pelos comissários socialistas.
Quanto aos principais clubes desportivos, o Gil Eanes é a menina dos olhos socialistas, enquanto o Esperança de Lagos, que teve muitos comissários do PSD que quase afundaram este velhinho clube, agora, o patrão é, nem mais nem menos, que o deputado do CDS, Artur Rego.
Salvam-se das máquinas partidárias, em princípio, e por enquanto, o Grupo Coral de Lagos, a Academia de Música de Lagos, entre outras instituições e colectividades, que mesmo assim, acoitam misturas partidárias, mas que não dão tanto nas vistas.
Para que conste, membros do executivo municipal, das Juntas de Freguesia e a maioria dos deputados da Assembleia Municipal, são comissários políticos no associativismo.
Moral da história: o associativismo serve de estágio e rampa de lançamento para cargos políticos, ao mesmo tempo que é âncora de capelinhas partidárias, e para amparar reformados políticos.

29 Novembro 2009

Estavam à espera de quê?

De acordo com a Associação de Empresas de Construção e Obras Públicas e Serviços (AECOPS), o Algarve é a região mais afectada pela crise no sector da construção, tendo o desemprego aumentado 246% em Setembro, face ao período homólogo de 2008, segundo as análises regionais de conjuntura.
Segundo a AECOPS esta é a situação mais grave de todo o País e tende a “agravar-se, ao contrário dos dados nacionais, que revelam uma tendência de estabilização”.
Diz ainda essa Associação que face a esta evolução não é de admirar que os construtores algarvios se revelem muito apreensivos quanto ao futuro das suas empresas, seja em termos financeiros, seja de produção, seja ainda de emprego.
Ah! O desemprego aumentou 246% em Setembro no sector da construção, face ao mesmo período de 2008? Mas que grande surpresa... Ah! E os construtores algarvios estão muito apreensivos quanto ao futuro das suas empresas? Mais uma nova surpresa...
Os “patos-bravos”, os especuladores construtores sem escrúpulos têm vindo a destruir o património natural do Algarve nos últimos anos, com o beneplácito do Poder Político que a essa destruição chama despudoradamente desenvolvimento. Como está à vista de todos, onde antes havia beleza hoje há betão, casas e mais casas, onde as pessoas vivem como sardinha em lata, sem a mínima qualidade de vida.
Independentemente de mais uma crise do sistema capitalista, que poderia justificar o consequente aumento brutal do desemprego, acima de tudo, deverá ser a degradação da qualidade de vida derivada da betonização desenfreada do litoral da nossa região que o poderá explicar melhor.
No caso do nosso concelho de Lagos, afigura-se que a inexistência do Plano Director Municipal (PDM) -desaparecido em parte incerta e por tempo indeterminado- em muito poderá estar a contribuir para esta situação. Ao fim e cabo e por muito burros que possam ser os compradores, quem quererá adquirir uma casa num concelho sem Rei nem Roque, como é o nosso? E, qual o papel do Poder Político local nesta situação vergonhosa que se vive em Lagos há anos?
E, por último, os “patos-bravos” estavam à espera de quê? De milagres? Afinal, não há quem não saiba que quem semeia ventos... colhe tempestades...

28 Novembro 2009

A "reserva dos índios" e o silêncio de Barroso

A governação do partido dito socialista não pára de surpreender pela negativa qualquer um.
Desta feita, está em causa uma questão relacionada com as populações que vivem perto de nós, lacobrigeneses, mais concretamente com as da “reserva índia” do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV). Ou seja, aquelas que têm a infelicidade de morar do concelho de Sines até ao de Vila do Bispo, passando pelo de Aljezur (os dois últimos que com Lagos constituem a Associação Terras do Infante).
De acordo com o jornal Região Sul, “o PCP acusa o Governo de se preparar para aprovar medidas com o intuito de afastar os residentes do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV) para “privatizar” e consequentemente “permitir negociatas”. Acrescenta esse partido político citado pelo periódico que “Em comunicado expedido pelo grupo de trabalho do PCP para o PNSACV, os comunistas anunciam que os moradores do parque vão ser obrigados a pedir autorização e a pagar consideráveis quantias ao Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) até para “cortar uma sebe no seu terreno”. O PCP diz que uma pequena obra em casa vai ter um custo imediato de “500 euros” a pagar ao ICNB, ou que uma actividade desportiva ou cultural organizada por uma associação ou clube vai carecer de um pagamento imediato de “200 euros” ao referido instituto, sendo que para qualquer dos casos será sempre necessária autorização”. “Como se explica que aos residentes do Parque Natural sejam colocadas tantas dificuldades para fazerem qualquer coisa na sua terra e depois o Governo PS possa fazer o que lhe apetecer, bastando para tal que seja considerado Projecto de Interesse Nacional (PIN)?”, questiona o grupo de trabalho do PCP.
E na Mesa Redonda acrescenta-se o seguinte: Como se explica que a Associação Terras do Infante (criada por Valentim Rosado/PSD e hoje dirigida pelo falso independente Barroso/PS) se abstenha de tomar uma posição firme e contrária a estas medidas? Como se pode não envolver na luta contra esta discriminação negativa aos cidadãos dos vizinhos municípios de Aljezur e de Vila do Bispo? Como pode ficar calada perante esta flagrante injustiça? Como é que o sr. Barroso, que até tem casa no concelho vizinho de Vila do Bispo e sérias responsabilidades na Associação Terras do Infante, não tenha nada a dizer quanto a esta questão?
(Adenda: Para o PCP trata-se de “taxas com valores absurdos” e apela à população para comparecer dia 28 pelas 15:00 horas, no Rogil, junto à saída da água do canal, “para conhecer estas medidas e outras que o Governo quer aprovar, com a presença do deputado do grupo parlamentar do PCP, Miguel Tiago”.)
Manuel Tiago

27 Novembro 2009

Mão PS a incendiar a comunicação social

Os portugueses vivem uma crise sem precedentes, jamais prevista ou sonhada. Um penoso pesadelo. Não se trata de mera conjuntura mundial, porque a moléstia em Portugal resulta, acima de tudo, de uma política cruel e fatal patrocinada pelos socialistas.
É bom que não se aponte o dedo somente a Sócrates, porque existe um exército de seguidores e colaboradores, muita conivência, copiosa maquinação e cavada corrupção.
A saúde adoentada, a justiça em coma, a educação decapitada e a liberdade desmaiada, numa democracia virtual em que o anestesiado povo se deita.
Sobrava parte da comunicação social a remar contra a maré, os grandes escândalos na praça pública, investigações e denúncias alertando as autoridades policiais e judiciais. Contudo, Sócrates e seus muchachos, depressa atearam fogo e os órgãos de comunicação social começaram a arder. Muitos com queimaduras graves, alguns com asfixias preocupantes. No entanto, uns tantos tomaram vitaminas socialistas.
À escala nacional, o célebre caso TVI, os mal-amados Público e Sol, os visados Expresso e Correio da Manhã, são exemplos dos ferozes ataques socialistas.
Ou se calam, ou não há publicidade para ninguém!
Na sequência de denúncias, a ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social), decidiu abrir um processo de averiguações relativo a alegadas interferências do governo em órgãos de comunicação social. Aguarda-se que vingue a verdade, seja feita justiça e punidos os culpados, a bem da liberdade de imprensa.
Então, que diagnosticar à escala regional, como avaliar o surto em municípios de pequena dimensão? Resposta espontânea, uma manifesta desgraça. Quem não alinha com o poder, arde. Porquê? Dócil réplica, porque afrouxa ou desaparece a publicidade das autarquias e das empresas públicas, e esvaziam-se também os anúncios das empresas privadas. Quanto mais pequenos os concelhos, maior controlo do poder político.
Não se pode escamotear, que há bem pouco tempo, existiam em Lagos duas rádios: Sagres FM e Maré Alta. Uma fugiu para outras bandas, a outra, ou morreu ou está em fase terminal. Contavam-se quatro jornais com sede no município lacobrigense, quarteto que também tinha versão online, a par do Canallagos. Em Novembro de 2009, continua o Correio de Lagos com periodicidade mensal irregular e às custas da Câmara Municipal de Lagos. Sobrevive o Costa a Costa por esmola da Câmara de Odemira, dito quinzenário, mas cujas edições desaguam por aí, de tempos em tempos, com escassez noticiosa sobre Lagos, e já não tem site. O Notícias de Lagos eclipsou-se, deixando interrogações no ar, não obstante dúbios e pálidos esclarecimentos no site, sempre a agendar o regresso eternamente adiado. A Voz das Freguesias, último jornal a aterrar em Lagos, parece que morreu à nascença, com edições esporádicas e site sem notícias.
Vai valendo o Barlavento que é um jornal a sério, mas que, também ele, não cai em graça no PS de Lagos.
Uma pobreza franciscana, com a mão marota socialista. Mas esta maldade já tem barbas. Em tempos idos, o ex presidente da Câmara, de nome Baptista, criou um monstro chamado Correio de Lagos. Azar dele, virou-se o feitiço contra o feiticeiro. Um tal Valentim, também edil lacobrigense, inventou a Rádio Clube Lacobrigense, mas depressa se desfez dela após chegar ao poder.
Neste inferno lacobrigense tutelado pelo Barroso, sobra este espaço arejado fora do alcance das garras políticas. Uma Mesa Redonda que convida as autoridades competentes à investigação urgente e irreversível, obstando a uma morte silenciosa da imprensa local.

26 Novembro 2009

Um caso exemplar


O programa de informação "Nós por cá", da SIC, transmitiu este vídeo que hoje partilhamos na nossa esplanada da Mesa Redonda.
Dizia ontem um dos nossos convivas que "A protecção do Dr. Barroso às obras do Sr. Celestino Vermelho já é notícia nacional".
Este é mais um "caso exemplar", à moda de Lagos, que merece séria e profunda reflexão!

25 Novembro 2009

O regresso anunciado do CanalLagos

Após o seu enigmático “desaparecimento” a poucos dias das eleições autárquicas de 11 de Outubro, o CanalLagos anuncia para breve o seu reaparecimento.
Quando se extinguiu do mundo virtual que é a “Rede de Alcance Mundial” (world wide web) ficaram por se conhecer as razões que levaram ao seu fim. Teria sido de bom tom, teria sido da mais elementar educação os seus responsáveis terem clarificado na ocasião o que os levou ao término do CanalLagos.
Nesses dias especulou-se em muitos locais de convívio (entre os quais o da nossa esplanada de liberdade e de livre discussão) que a decisão de pôr um ponto final a esse projecto se teria ficado a dever ou a pressões da Câmara Municipal de Lagos, ou a faltas de apoio que garantissem a sustentabilidade do mesmo.
Também se disse aqui, então, que este não era propriamente um órgão de comunicação social, pois quase que se limitava a fazer um copiar/colar (copy/paste) das notas de imprensa que recebia. Contudo, não obstante essa limitação, as publicações do CanalLagos tinham interesse e eram relevantes para os lacobrigenenses que não encontravam nem encontram na (des)informação municipal as notícias do que se passa no seu concelho.
Por outro lado, as suas colunas de opinião contavam com a elevada colaboração de pessoas que escrevem bem (de acordo com as matrizes político-sociais em que se situam) e que fundamentavam as suas posições de forma racional e esclarecida. Entre outras, destacam-se as de Nídio Duarte, as de Nuno Marques, as de José Alberto Baptista, as de Paulo Rosário Dias e as de José Veloso.
O CanalLagos sob a gestão de 2009, quando comparado com o que havia sido criado pelo nosso bom vizinho António Guimarães em parceria com o jornalista Rodrigo Burnay, era uma quase uma anedota, uma sombra do seu passado. E esse facto é lamentável...
Agora, anuncia-se o renascimento do CanalLagos. E tudo o que seja a função de informar os nossos concidadãos e de suscitar o debate livre e público merece o nosso aplauso e o nosso indefectível apoio.
Mas... Há sérios motivos para preocupação e interrogação. Quais os motivos que levaram ao encerramento do Canallagos? Por que não foram esses esclarecidos em devido tempo? E será que os constrangimentos que levaram ao seu encerramento foram ultrapassados desde então? E se sim, como? Com o apoio de algum partido político? Por exemplo, do PS, partido politico claramente vencedor das últimas autárquicas, em Lagos? Ou de algum militante desse partido político de há muito afastado da ribalta, mas que anseia por voltar à luz dos holofotes? Ou haverá mais um qualquer “negócio” manhoso à moda de Lagos, relacionado com o CanalLagos?

24 Novembro 2009

O edifício não inteligente e os que o aprovaram

O novo edifício Paços do Concelho Séc. XXI, de Lagos, foi inaugurado no passado dia 6 de Julho, numa cerimónia que segundo a Câmara Municipal contou com a presença de mais de 1.500 cidadãos do nosso concelho.
Segundo a propaganda da autarquia, “O projecto do novo edifício resultou da proposta vencedora de um concurso que foi lançado com este propósito. Da autoria da PROGITAPE, a concepção do edifício foi abordada como uma peça isolada, com grandiosidade própria. Constituindo-se como uma peça arquitectónica sóbria e de linhas direitas, que transmite uma imagem de modernidade e eficiência é um edifício que vai prestigiar o Município de Lagos, sendo um elemento marcante da paisagem urbana da cidade”. E, é aqui, que começamos a divergir da autarquia. O prédio não tem uma arquitectura sóbria e não, não prestigia de forma alguma o Município de Lagos. Mas concordamos que é um elemento marcante, como o são os incontáveis mamarrachos que brotam por todo o lado. Dissemo-lo reiteradamente assim que tomámos conhecimento do projecto e repetimo-lo mais uma vez hoje: aquilo é um verdadeiro “aborto”!
Segundo a autarquia, “O valor total da empreitada orçou em 16.258.209,31 euros, o qual é suportado pelo consórcio, que se responsabiliza, também, pela gestão do Edifício (incluindo manutenção, reparação e substituição de equipamentos). Para tal o Município pagará mensalmente uma renda de 163.500,00 euros durante 20 anos, findos os quais o edifício reverterá a favor do Município”. Aqui há dois reparos muito sérios a serem feitos:
O primeiro: em documento de 2005, da CML, “o valor base de licitação do concurso era de 9,5 milhões de euros”. Mas... a empreitada orçou em mais de 16 milhões... E o custo total será de mais de 39 milhões... numa edificação com acabamentos no mínimo “rascas”...
O segundo: o consórcio de que se fala acima integra nada mais nada menos do que a Empresa Municipal FuturLagos. Isto quer dizer que é a própria Câmara que paga parte da manutenção, reparação e substituição de equipamentos. Mas que lindo negócio...
Seria de se esperar que um edifício moderno tivesse uma concepção moderna e “inteligente”. Aliás, pessoas que tenham dois “dedos de testa” e que exerçam cargos de responsabilidade deveriam ter presente que uma edificação com a finalidade desta o deveria ser! O que não aconteceu neste caso, lamentavelmente. De uma forma simples, pode dizer-se que os edifícios são inteligentes porque são amigos do ambiente e porque a ciência de alguma forma emprestou o seu conhecimento para que eles sejam mais saudáveis e eficientes do ponto de vista energético. Ora, é precisamente isso que não acontece neste caso. Aqui, só se consegue trabalhar com luz artificial em muitos locais. Noutros, em contrapartida, por estarem muito expostos ao Sol, se não existisse ar condicionado seria impraticável alguém lá estar... E, ressalvando algum desconhecimento da nossa parte, não se vislumbra a utilização de energias renováveis, como seria expectável...
Passaram cerca de quatro meses e meio da inauguração do novo edifício Paços do Concelho Séc. XXI, de Lagos, aquele que não é um edifício “inteligente”! E, por conseguinte, como classificar os responsáveis pela sua edificação?
(informação suplementar aqui)

23 Novembro 2009

Ligações obscuras e imprensa da treta

Vá lá saber-se por que obscura razão, a espécie de jornal que é o “CORREIO DE LAGOS, a nível da sua estrutura interna, decide deitar mão ao projecto da Celebração dos 550 Anos da Morte do Infante. E para o coordenar, decidiu eleger a figura de sub-director que passa a ser desempenhado pelo comendador Cândido Igrejas”.
Não há a certeza absoluta por que estranhos desígnios o amontoado de papel que é o Correio de Lagos decidiu, como diz, deitar mão ao projecto da Celebração dos 550 Anos da Morte do Infante. Mas, agora, percebem-se melhor as razões do apoio despudorado dessa coisa a que alguns chamam jornal à candidatura de Júlio Barroso. Sim, agora já começa a fazer sentido...
Tem-se dito aqui que o Correio de Lagos não é um jornal, mas sim uma sequência de textos que NÃO SÃO jornalísticos. Atente-se neste naco de prosa e compare-se a mesma com o mesmo assunto escrito num jornal digno desse nome: “Como é sempre uma imagem agradável de se ver e como o pano de fundo da Marina ou do Porto de Pesca perfaz um postal que é sempre bonito de se admirar, muitos eram os que faziam questão de ver aqueles patinadores rolar. E com este quadro a estender-se ao longo da Avenida, eis que desfilaram diante do mercado e preparavam-se para passar ao lado da praça de táxis”. A mesma notícia, desta feita, num jornal a sério, o Barlavento: “Quatro crianças sofreram ferimentos ligeiros depois de terem sido atropeladas por um veículo de tracção animal, esta manhã, durante as comemorações do Dia do Município de Lagos”. É esta a diferença entre jornalismo e os dislates saídos da cabeça de reconhecido oportunista e a quem deveria ser retirada por manifesta incompetência e atentado aos mais elementares princípios deontológicos a carteira profissional de jornalista com o número 1928...
Mas o que terá levado a Câmara Municipal de Lagos a embarcar nesta estranha parceria com essa espécie de jornal? Terá sido esta uma forma encontrada de pagar os favores prestados ao longo do último ano? Responda quem souber...

22 Novembro 2009

Baixo nível da política

A renomeação de Isilda Gomes para voltar a exercer o cargo de Governadora Civil do Distrito de Faro, substituindo Carlos Jorge dos Santos Silva Gomes, o mesmo que havia substituído Isilda Gomes há três meses atrás (para a senhora se candidatar à Assembleia da República) tem estado a provocar uma troca de “galhardetes” entre o PS e o PSD/Algarve.
Quando se soube do regresso da sra. Isilda para tornar a desempenhar do cargo do Governo-Civil, Mendes Bota, líder regional do PSD, afirmou em comunicado que este é “mais um exemplo da forma ligeira e menos séria como o PS/Algarve trata o eleitorado algarvio”, tendo acrescentado que o PS “utiliza os mandatos conferidos pelo eleitorado ao sabor dos interesses pessoais dos seus principais protagonistas e dos joguinhos de poder internos”.
Em resposta aos social-democratas, Miguel Freitas, líder regional do PS, declarou que no quadro actual esta foi a "melhor decisão", tendo considerado que Isilda Gomes "já deu provas de enorme competência" no desempenho do cargo”.
Já do Bloco de Esquerda (BE), que elegeu pela primeira vez uma Deputada à Assembleia da República pelo nosso distrito, não se escutou nenhuma tomada de posição sobre este assunto. O facto de a sra. Deputada não ser de cá e de ainda não conhecer convenientemente a nossa Região, poderá explicar a ausência de uma intervenção sobre este caso lamentável.
Nos últimos anos, os partidos do “centrão” têm tido posições no mínimo curiosas quanto ao cargo de Governadores-Civis. Recorde-se que o “cherne”, o tal que fugiu para Bruxelas, prometeu a extinção desse cargo decorativo para, logo em seguida, nomear Valentim Rosado (o tal que atrofiou Lagos durante 12 tenebrosos anos à frente do concelho onde fez a esplendorosa "obra invísivel”). Curioso, não é? Mas o PS não lhe ficou atrás, com esta “caldeirada” à volta de Isilda Gomes.
Mas, afinal, quais as competências do Governador Civil? “O Governador Civil, sem prejuízo de outras consagradas em legislação avulsa, exerce competências nos seguintes domínios:
a. Representação do Governo;
b. Aproximação entre o cidadão e a Administração;
c. Segurança Pública;
d. Protecção Civil.”
Ou seja, esta uma figura meramente decorativa e sem qualquer utilidade. Representar o Governo? Deve ser p'ra rir... Aproximar o cidadão e a Administração? Deve ser p'ra gozar... Segurança Pública? Tem-se visto, sim senhor... Protecção Civil? Nota-se... Nota-se...
E não se pode “exterminar” esta malta?